"A princípio foi esse olhar um simples encontro; mas, dentro de alguns instantes, era alguma coisa mais. Era a primeira revelação, tácita mas consciente, do sentimento que os ligava. Nenhum deles procurara esse contato de suas almas, mas nenhum fugiu. O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao céu cabia ouvir, porque não eram vozes da terra, nem para a terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única."
Estive pensando, e isso eu tenho feito muito ultimamente: pensar. Apesar de saber que, tecnicamente, nós sempre pensamos, o tempo todo, acerca de tudo que nos cerca, desde o dia que nascemos. Ou não. Mas enfim, como eu estava dizendo, eu estava pensando muito, ou melhor, eu estava pensando simplesmente, pois não há como pensar muito, já que o pensamento existe independente a nossa vontade, como se fosse rio que corre, sem destino, sem cessar, eternamente pelos caminhos da conciencia, enquanto ela existir. Resumidamente, a conciencia é uma maldição que nos obriga a pensar, o tempo todo, seja lá sobre oq for.
Nos caberia apenas escolher sobre oq pensar. E é aí que meu drama fica dramático!!! Eu não consigo. Um pensamento recorrente vai e vem, o tempo todo, me fazendo pensar muito, ou o mesmo de sempre, mas muito sobre uma só coisa. É como se o rio da minha conciencia não fluísse, é como se andasse em círculos. E a cada volta que dá minhas certezas diminuem. Pensando em pensar menos acabo pensado mais.
O que importa o que possa parecer? O que importa essa vida, esse tempo que se vive pra ser esquecido, esses dias que longe de você parecem nunca terem existido? O que importa se possa parecer que não consigo te esquecer?
Nada importa
Não te esqueci. E daí?
O cinismo existe pra isso mesmo, “tampar o sol sem a peneira,” já dizia Millor.
De qualquer maneira Meu cinismo supera a saudade e se não supera, ele finge muito bem.
Finjo fingir tão bem que às vezes penso se não sou exatamente o personagem casca-grossa que finjo ser.
E nessa de brincar de mentir, de sentir, as mentiras que invento acabam por me convencer, e as verdades saem da boca como se fosse piada.
É a ironia de ser irônico: vira a própria ironia. minha ironia de ser cinicamente sincero.
Amor vão é verdadeiro Se for verdadeiro vai se infinito Eterno a luz do dia e infinito nas noites claras.
Como se fosse uma vaga certeza, numa mentira que não tem a menor intenção de enganar. Porque só se engana quem engana a si mesmo, dizendo: "Tudo comigo, e você como está?"
Quem vai nos salvar?
Quem vai nos salvar desse frio que assola, desse medo que assombra? Mas tudo bem... tudo bem... e você? Como está?
Ontem a noite tive a nítida impressão que você estava comigo. Quem sabe estava mesmo, quem sabe estava pensando em mim, quem sabe saiba o quanto penso em você.
Penso em você quando quero me alegrar.
Como se bastasse saber que você existe para tudo ficar bem.
É tanta gente que a gente conhece e é tanta gente que a gente esquece
Esquece de lembrar
Esquece de lembrar que ela tambem esquece da gente Ela esquece que nos conhece ela esquece que nos esquece
Ela nem sabe que nos esqueceu porque esqueceu de lembrar que nos tinha esquecido
É um esquecimento justo pois também não me lembro do nome dela dessa pessoa que lembrei que havia esquecido e das outras que nem me lembrei que esqueci
Que esqueci de lembrar que a conheço Que esqueci de lembrar que a esqueço.